segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mardi Gras

Aproximamos-nos da época da folia, o Carnaval, a altura em que ninguém, supostamente, leva nada a mal. Se observarmos outro dito, bastante popular, "A vida são dois dias e o Carnaval são três" e o interpretarmos literalmente chegamos a uma conclusão peculiar.

O Carnaval serve para uma pessoa se esquecer da rotina, mascarar-se, divertir-se um pouco, ser outro. E se passássemos a vida neste estado, e o Carnaval fosse a altura em que éramos nós mesmos? Fazendo uma analogia com o dito: a vida passa tão rápido que parece mais curta que o Carnaval, agora a minha ideia é passarmos a vida escondidos, e desabrocharmos, sermos reais apenas no Carnaval.


Imaginem pessoas que têm que suportar o peso de uma dura máscara a vida toda e só lhes é permitido descansar um pouco o corpo dorido num determinado período. Imagino como deve ser difícil, mas também consigo compreender que por vezes somos aceites por quem não somos e como o ser humano é um ser, talvez infelizmente, social, somos capazes de mentir a nós próprios para agradar os outros. Espero não ter que me tornar num folião contínuo, prefiro o alienamento da sociedade do que o alienamento da minha essência...Pois na vida só podemos contar connosco e mesmo assim há que ter cuidado com o nosso ser, com o nosso inconsciente.


Desejo a todos um óptimo Carnaval e que seja a altura de tirar a máscara e não -la :)
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

I'm in a "Nine" mood...call me later

In a very unusual way, one time
I needed you.
In a very unusual way, you were my friend.
Maybe it lasted a day,
Maybe it lasted an hour,
But somehow it will never end.
In a very unusual way, i think I’m in love with you.
In a very unusual way, i want to cry.
Something inside me goes weak, something inside mesurrenders,
And you’re the reason why,
You’re the reason why.
You don’t know what you do to me.
You don’t have a clue.
You can’t tell what it’s like to be me looking at you.
It scares me so that i can hardly speak.
In a very unusual way, i owe what i am to you.
Though at times it appears i won’t stay, I never go.
Special to me in my life,
Since the first day that i met you.
How could i ever forget you,
Once you had touched my soul?
In a very unusual way, you’ve made me whole.
Há dias em que simplesmente nos sentimos assim, nos apercebemos da pessoa ou pessoas que de uma maneira peculiar amamos. Eu amo pessoas de várias maneiras, amo pessoas que conheço bem, amo pessoas que conheço mal, amo pessoas que não conheço, amo pessoas na sombra...isto enche-me de melancolia e pergunto-me sempre, será que sou amada, nem que seja na sombra?
Am I loved in a very unusual way?
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sol de Inverno

Hoje, como todos os dias, acordei.
Um belo espreguiçar, um olhar a todas as janelas para admirar o tempo na minha pacata cidade, um exemplar dia de inverno, um céu azul que não se encontra em todo o lado, invejável. Um sol resplandecente e, no entanto, sem o sentir fisicamente era-me possível sentir o frio psicologicamente.
O ritual matinal quebra as minhas deambulações neste primeiro dia de Fevereiro, há que preparar-me, não para gozar o glorioso dia, mas para me encerrar quase oito horas num estabelecimento, não muito longe de um estabelecimento prisional. A próxima hora repleta de banalidades, esfregar e escovar, muito resumidamente.
Na viagem de carro para aquele destino tão indesejado, em conversa com o meu pai, concluímos que um dia destes era merecedor de reconhecimento simplesmente partir para o fazer, mas para onde? Será que interessa mesmo? Só o partir já seria importante.
Não, não o fizemos, as obrigações ganharam esta batalha de titãs e como boas formigas trabalhadoras, seguimos o carreirinho e transportamos o nosso miolo de pão. E agora, ao fim do dia, quando o arrependimento me assola, penso e se naquele momento tivéssemos seguido o exemplo de Z o protagonista de "Antz Formiga Z"? Parássemos de seguir o carreiro? Como teria sido o meu dia? Imagino-me numa viagem a tentar alcançar o sol, parar quando quiséssemos parar, comer quando quiséssemos comer, dormir quando quiséssemos dormir, sem obrigações nem nervosismos, simplesmente aproveitar os cenários que este mundo nos proporciona, dormir sob as estrelas, longe das grandes metrópoles, longe do barulho, do fumo!
Quando é que poderei trocar este pesadelo suportável por um sonho arrebatador? Quando...?
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domingo, 31 de janeiro de 2010

8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 , 1


7
6
5
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Hoje acordei no rescaldo de um serão repleto de talento, ontem passei o serão com a Sétima Arte.

Vou falar um pouco dela, uma vez que é uma amiga de longa data, que como todos os outros me magoou, surpreendeu, fez rir, fez chorar, fez amar e odiar, que como todos os outros já jantou comigo, tomou café comigo, adormeceu comigo, embalou-me até, já me ofereceu prendas, mandou mensagens, já gritou comigo, já me apresentou locais, pessoas, flores, planetas, músicas, livros, já me fez pensar, já me aconselhou e nunca pediu nada em troca a não ser visitas assíduas e eu nunca lhe pedi nada em troca a não ser o prazer quase que constante da sua companhia.

Quando a conheci não sei, porque sinto que ela nasceu comigo, saiu, naquela madrugada, naquele dia de outono, do ventre da minha mãe, vínhamos com o cordão umbilical ligado e quando foi cortado só o foi fisicamente. Já partes da nossa alma tinham sido trocadas. Passaram-se muitos anos até nos entendermos, no início dava por mim a inventar sobre ela, acho que não se importava, gostava das minhas interpretações diferentes e únicas. Conheci a Sétima Arte em desenhos animados, a preto e branco, a cores, a negativo... Conheci a Sétima Arte em francês, inglês, português, italiano, russo, alemão, indiano, chinês, japonês... Encontrava-me com a Sétima Arte durante 30 min, 80 min, 2h30, 4h...

Ao início não gostava dela a preto e branco, nem em francês, italiano, russo, alemão, indiano, chinês, japonês. Era quando nos chateava-mo-nos. Mas eu cresci, ela evoluiu. E quando isso aconteceu apreciei o seu todo, hoje posso dizer que até gosto mais do antes da Sétima Arte do que propriamente do agora, mas depois ela apresenta-me "Ágora", "Nine", "Invictus", "O leitor", "O rapaz de pijama às riscas"... e penso ela ainda tem muito para dar. E orgulho-me de ser sua amiga.

Às vezes tenho ciúmes de a partilhar...mas penso que um dia ela não vai ser egoísta a esse ponto, vai-me deixar trabalhar com ela e vai querer precisamente mostrar-me ao mundo, para poder dizer que é minha amiga. E também uma coisa é certa, só trabalhando com ela é que poderemos ficar juntas...para sempre :)


CORTA!



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sábado, 30 de janeiro de 2010

Comboio Regional está a partir

Hoje esperava-me uma viagem pequena,solitária e madrugadora, ao entrar naquele comboio sentia-se o vazio, a ausência de destinos e de pontos de partida a pairar no ar. Uma única passageira a olhar da janela do veículo parado, um vislumbre à velha estação de caminhos de ferro, histórias de pontos de encontro e de desencontros povoaram a minha cabeça. Enfrentava um daqueles períodos de espera em que tendemos a ficar nostálgicos e pensativos, pois estão reunidas todas as condições para tal: um meio de transporte deixado ao abandono, o sol acabado de nascer, a geada que ainda cobre o solo, um local carregado de recordações.
Por fim os restantes passageiros juntam-se a mim nesta viagem à "Terra do Nunca", às memórias que não são nossas. São de todas as idades, as crianças bocejam e amaldiçoam quem os retirou do ninho, os jovens aparentam estar despreocupados com os headphones tentando isolar-se, quando são tão atormentados e perseguidos como os outros, os mais idosos que entram carregados de sacos cujo conteúdo se destina ao dia passado nos seus terrenos. O revisor chega, na sua farda que espanta crianças e não passa despercebida ao suposto alheamento dos adolescentes. Conversa com os homens e mulheres de trabalho, temas banais, mas que permitem a todos os passageiros o desanuviar daquele temível período de isolamento com o nosso cérebro. "Segundo dizem o tempo está bom, menos frio do que ontem, ainda assim a geada é notável, mas em breve derreterá...o Sr.Branco e a esposa estão no lar...a esposa ainda estava viva?...sim sim, estão os dois no lar novo, digo-lhe já que é muito jeitoso."
O revisor caminha para trás e para adiante, não entendo porquê, estará a verificar se está tudo em ordem, ou estará tão ansioso como um menino no primeiro dia de aulas? São 08:43, está na hora, partida. Os rituais que ainda nos distraem, picar e comprar bilhetes, uma pequena piada aos idosos que viajam sem pagar e hei-lo outra vez...o silêncio. Mas agora um silêncio diferente, um silêncio com movimento, um silêncio menos monótono, um silêncio com uma paisagem, um silêncio com uma paisagem que se altera constantemente, depara-mo-nos a tentar apanhar todos os pormenores de cada quadro, mas não é possível, eles são tantos! 1ª Paragem - Tortosendo Novas pessoas que entram, novos bilhetes e novas conversas, talvez até repetidas, velhos conhecidos que se encontram entre paragens e põem a conversa em dia. 2ª Paragem - Alcaria Mais do mesmo, mas agora que estamos habituados ao ritmo e ao silêncio que deixou de ser desconfortável, a última paragem aproxima-se...cada vez mais...3ª Paragem - Fundão Fim da linha...mas será mesmo?


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tã Tã tãtãtãtãtãtãtãtã Tã Tã

É tão bom quando chegamos a sexta-feira e pensamos que é dia de ir ao teatro, é dia de entrar numa nova dimensão onde nos sentimos outro, onde vemos alguém suar pelas nossas reacções...É um espaço que pode ser descrito como como acolhedor e vermelho :) The right place to be. Desde o sair do carro naquela rampa atribulada e de sentido único, sentir os pés naquele solo que está sempre molhado e cheio de areia, subir três degraus, pagar 3 euros uma vez que se é jovem, sentir o papel do bilhete e os panfletos que nos dão uma luz sobre o que nos espera, o cheiro a papel imaculado, entrar numa sala intimista, um pequeno bar que transpira inovação, jazz, declamação de poemas, inúmeras tertúlias, tomar o café no copo de plástico enquanto se olha para o relógio com a ânsia do início do espectáculo, caminhar um pouco naquela sala que tem sempre fotos expostas, talvez uma ida à casa de banho (vale mais prevenir que remediar), o nosso bilhete a ser rasgado, descer aquelas escadas íngremes, por fim a sala de espectáculos, palco escuro ou não, terceira fila ao centro, ainda que no teatro moderno já não se oiçam as pancadas de Molière elas ecoam por toda a sala, estão gravadas naquelas paredes, tosses, fechar fechos de carteiras, barulho de casacos e por fim, SILÊNCIO, chega o momento, a viagem que nos espera, até que o fim chega, mas, no entanto, nessa noite quem vai para casa não é a mesma pessoa que saiu do carro no início daquela noite, mas sim a personagem que não nos sai da cabeça, quer seja por bons ou maus motivos, ela está cá e é ela que nessa noite se vai aconchegar nas nossas camas, até que, ao outro dia acordamos e existe um espaço em branco na noite anterior, entre as 23:15 e essa manhã...
Muita merda, merda a todos vós <3

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Éternité

Como é que um ser finito e tão limitado, que eu acredito que nós, por vezes, somos cria o eterno, sem se aperceber? Músicas, filmes, livros, palavras, quadros, os ícones com que crescemos! Quem não recorda em alguma situação imitar Marilyn Monroe a segurar o vestido que esvoaça, ou no banho cantarolar "Carmen" de Bizet, ou citar vezes sem conta Hamlet, de Shakespeare "Ser ou não ser eis a questão" imaginando-nos sempre com uma caveira na mão...podia continuar continuar, porque sem dúvidas marcos não faltam. Estes são para mim grandes feitos, são coisas que só de pensar nelas me arrepio, tenho-lhes tanto respeito, devo-lhes tanto do que sou. Graças a Édith Piaf e a tantos outros vejo verdadeiramente La vie en rose, porque é assim que ela tem que ser vista, apesar de haver muito negativismo que obriga a paleta a desviar-se para os cinza e negros cabe-nos a nós erguermos o pescoço, arregaçarmos as mangas e colorirmos a tela do mundo de rosa! A arte é a melhor forma de o fazermos, expressarmo-nos criativamente de modo a criarmos um eterno, mas não um eterno qualquer, um eterno cor-de-rosa :)

"Quand il me prend dans ses bras

Il me parle tout bas,

Je vois la vie en rose.


Il me dit des mots d'amour,

Des mots de tous les jours,

Et ça me fait quelque chose."

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