Quando estamos rodeados de determinadas pessoas, num determinado local, a uma determinada hora, surgem também determinados assuntos, que se não estivessem reunidas as condições perfeitas, nunca na vida nos lembraríamos de tal coisa.
Pois as condições que levaram a esta ideia são fáceis de reunir, basta um adorável grupo de cinco amigos, numa casa em Lisboa, mais precisamente Linda-Velha (751), um quarto de casal, porta fechada, madrugada, muitos pijamas, muitas gargalhadas, uns encostados à cabeceira, outros no local oposto, cartas espalhadas, cigarros apagados no cinzeiro, pessoas sonolentas, outras nem por isso...imaginem portanto diálogos entre sonâmbulos e seres bastante despertos, misturar duas dimensões: a realidade e o sonho!
Ora o assunto que mais me fascinou nessa noite de deboche saudável, foi quando alguém, já não sei porquê, indagou "E se nos apaixonássemos por nós mesmos?".
Essa ideia pairou na minha mente os próximos dias e tive oportunidade de reflectir um pouco. Normalmente nunca se fala desse amor, pois não é considerado amor, mas talvez egocentrismo, fala-se de Narciso e da sua obsessão pelo seu aspecto que o levou à morte por afogamento, mas o que eu agora estou a tentar fazer é imaginar não este amor físico, mas sim um amor muito mais profundo...será possível alguém apaixonar-se por si próprio...crescer sempre à procura de alguém inteligente, que goste das mesmas coisas que nós e nos mostre outras, alguém sensível, romântico, dado à discussão (este é um ideal, entre muitos, claro). Uma procura incessante que só leva a relações falhadas e desgostos amorosos. E se este ideal tão desejado estiver tão perto de nós que não o conseguimos ver?! Esta pessoa está connosco constantemente e eternamente, nunca nos poderá deixar, nascemos juntos e morremos juntos e para a vermos basta uma superfície polida o suficiente...Chamem-me lunática...chamem a esta interrogação uma abominação, mas será assim tão ilógico? Não julguem esta ideia já, antes de o fazerem, vejam-se ao espelho...

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